O pintor de parede era tarado pela mulher do vizinho.
E pelo jeito ela também! Rolava um clima, uma troca de olhares, mas a coisa nunca rolava, porque o marido era um tremendo ciumento e trancava a mulher dentro de casa quando saía pro trabalho.
Determinado em arrumar um jeito de se aproximar, o pintor teve uma idéia.
– Sabe como é, Adolfo – disse ele, pro vizinho – A gente é vizinho há anos… Eu ando com um tempo sobrando, então estava pensando… Você não quer que eu pinte sua casa de graça?
– Claro, amigão! – Agradeceu ele – Aparece aqui amanhã de manhã que você já começa!
Na manhã seguinte o pintor chega todo animado, lata de tinta numa mão, pincel na outra. E o marido ciumento diz:
– Se você não se importa, vou trancar a porta. Não gosto que minha mulher fique dando voltinhas por aí.
– Claro, Adolfo. Você é quem sabe!
Foi só o marido sair para o trabalho que eles começaram os amassos. Depois de alguns minutos, quando a coisa estava esquentando, ouve-se um barulho de porta. Era o marido!
– E agora? – disse a mulher, aflita.
O pintor só teve tempo de pegar o pincel e começar a pintar, com um jeito bem distraído.
O que é isso? – pergunta o marido, assustado – Você pede pra pintar minha casa e fica pelado na frente da minha mulher?
– Pô, eu tô pintando de graça e você ainda quer que eu suje a minha roupa?
– Anh… E esse pinto duro? – Diz ele, apontando para o dito cujo do pintor, que estava em ponto de bala.
E o pintor responde com a maior naturalidade:
– E onde é que você queria que eu pendurasse a lata?