Ia o chofer levando o seu caminhão de galinha do interior de Minas para o Rio. Na boléia, para lhe fazer companhia, um papagaio. No meio da estrada, na saída de uma cidadezinha daquelas, apareceu uma moça pedindo carona. O chofer não conversou, a moça era ajeitadinha, ele a botou ao seu lado e sumiu na estrada. Conversa daqui, conversa dali, ele foi direto, cantou logo a moça. Ela disse que não. O chofer ficou uma fera:
– Ou dá, ou desce!
A moça deu uma hesitadazinha, o chofer pegou o papagaio e jogou ele atrás, na carroceria, pra não ficar de voyeur, mas quando se viu sozinho, cadê que ela deu?
– Ou dá, ou desce! – berrou o chofer, já sem paciência.
Não é que a moça desceu? Ficou sozinha ali na estrada e o safado do motorista se mandou para o Rio, pegou ali na altura do Santo Cristo e foi desembarcar na Saúde. Parou o caminhão e quando foi conferir a mercadoria, levou o maior susto da sua vida. Os engradados estavam todos vazios, não tinha uma só galinha no caminhão, ou melhor, tinha uma pobre franguinha, toda encolhidinha lá no fundo, com o papagaio apertando ela no canto:
– OU DÁ, OU DESCE!